Guia completo para planejar a sua viagem ao Monte Roraima

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Tudo o que você precisa saber para visitar o Monte Roraima, destino de aventura ideal para os apaixonados por travessias, paisagens únicas, cachoeiras e experiência desafiadoras

O Monte Roraima é um daqueles destinos em que a viagem começa muito antes do primeiro passo na trilha. Isolado, envolto por nuvens e cercado por paisagens que parecem fora do tempo, o tepui (montanha de topo plano) se impõe na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana como um dos cenários naturais mais impressionantes da América do Sul.

Com 2.810 metros de altitude e cerca de 2 bilhões de anos, o Monte Roraima está entre as formações geológicas mais antigas do planeta. Seu topo plano abriga um ecossistema único, com várias espécies de plantas endêmicas. Considerado sagrado pelos povos indígenas Pemon e Kapon, o monte também atravessou o imaginário ocidental ao inspirar o romance O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle.

Chegar ao topo exige disposição e planejamento. A expedição parte pelo lado venezuelano, a partir da comunidade indígena de Paraitepui, no Parque Nacional Canaima. Ao longo do caminho, os viajantes cruzam rios, caminham por savanas e florestas de galeria e enfrentam a íngreme subida da La Rampa, o único acesso natural ao platô. 

A recompensa vem ao alcançar o cume. Piscinas naturais de água cristalina, vales cobertos por quartzo, formações rochosas esculpidas pela erosão e uma névoa constante criam um ambiente quase surreal. 

Diante de um destino tão remoto e singular, organizar a viagem com antecedência faz toda a diferença. Por isso, este guia de viagem ao Monte Roraima reúne os principais atrativos, dicas sobre a melhor época para ir, formas de acesso e outras informações para o planejamento da expedição.

Principais atrativos do Monte Roraima segundo viajantes

Quem completa a viagem costuma destacar o topo do Monte Roraima como a parte mais marcante da jornada. Porém, cada formação rochosa, vale ou mirante oferece uma experiência diferente, tornando cada atrativo importante. 

Paisagem do Parque Nacional do Monte Roraima
Parque Nacional do Monte Roraima preserva planaltos e biodiversidade. Foto: Glauco Machado Bueno / Wikimedia

Trekking até o topo do Monte Roraima

O trekking até o topo do Monte Roraima é, por si só, a parte mais esperada da experiência. A expedição dura, em média, 8 dias, em um percurso de cerca de 40 km. A caminhada começa em Paraitepui e atravessa savanas, trechos de mata e vales com rios. A parte mais exigente é a subida pela La Rampa, com rochas úmidas e escorregadias que marcam o trajeto final para o topo do tepui.

Platô do Monte Roraima

O território do Platô é tido como completamente diferente e único. Com cerca de 31 km², a superfície do Monte Roraima é coberta por arenito escuro, blocos de quartzo e vegetação adaptada às condições extremas. O terreno é irregular, repleto de fissuras profundas e grandes formações rochosas, exigindo atenção constante durante as caminhadas.

Monte Roraima, com planaltos impressionantes e paisagens naturais da Serra Pacaraima
Monte Roraima encanta com seus planaltos e paisagens únicas no Parque Nacional do Monte Roraima. Foto: Caio Vilela / Wikimedia

Proa

A Proa é o ponto mais famoso do Monte Roraima e uma das experiências mais marcantes da expedição. Localizada na extremidade norte do platô, a formação rochosa se projeta sobre o vazio, lembrando a proa de um navio suspenso sobre a paisagem. Em dias de céu aberto, a vista alcança dezenas de quilômetros da Gran Sabana. O acesso exige cerca de uma hora de caminhada a partir do acampamento base, em terreno irregular.

El Foso

El Foso é uma das formações mais curiosas do topo do Monte Roraima. Trata-se de uma caverna formada pelo colapso de grandes blocos rochosos, criando um salão subterrâneo com cerca de 15 metros de profundidade. O acesso é feito por passagens estreitas entre as pedras e não é indicado para pessoas com claustrofobia. 

El Fosso, no Monte Roraima, revela a grandiosidade das paisagens naturais de Roraima na Serra do Pacaraima
El Foso, caverna natural no Monte Roraima. Foto: Gérard Vigo / Wikimedia

Pedra Maverick

Próxima ao acampamento principal do topo, a Pedra Maverick se destaca como uma das formações mais reconhecíveis do Monte Roraima. Além de funcionar como ponto de referência para a navegação no platô, suas cavidades naturais oferecem abrigo momentâneo durante as chuvas, comuns mesmo nos períodos considerados mais secos.

Piscinas naturais, cachoeiras e cursos d’água do topo

As piscinas naturais do Monte Roraima são extremamente frias, entre 5 °C e 8 °C, e se espalham pelo platô em diferentes tamanhos e profundidades. As principais, conhecidas como Jacuzzis, costumam ser uma das paradas mais aguardadas da expedição. Além delas, inúmeros cursos d’água cruzam o topo e caem de uma altura em torno de 400 metros.

Vale dos Cristais

O Vale dos Cristais surpreende pelo contraste visual em relação ao restante do platô. Espalhados pelo solo, fragmentos de quartzo criam um brilho rosado que sobressai sobre o arenito escuro, formando um cenário quase irreal. A caminhada até o vale passa por estruturas rochosas que lembram ruínas naturais.

Onde ficar hospedado para visitar o Monte Roraima? 

A hospedagem durante a expedição ao Monte Roraima acontece exclusivamente em acampamentos com barracas, já que não existem hotéis, pousadas ou estruturas fixas ao longo da trilha ou no topo da montanha. Todo o pernoite é organizado pelas agências que fazem a expedição, com montagem de barracas em áreas dentro do Parque Nacional Canaima, sempre respeitando regras ambientais e de segurança.

As agências sediadas em Santa Elena de Uairén fornecem barracas compartilhadas, sacos de dormir, isolantes térmicos e toda a estrutura de cozinha. Os guias e carregadores locais são obrigatórios por lei e acompanham os grupos durante todo o percurso, sendo responsáveis pela logística, preparo das refeições e orientação nas trilhas.

Antes e depois da expedição, Santa Elena de Uairén funciona como a principal base de apoio. A cidade conta com pousadas simples e hotéis de padrão médio, além de restaurantes, mercados e casas de câmbio. É comum que os viajantes passem ao menos uma noite na cidade antes do início do trekking para ajustes finais de equipamento e documentação.

Para quem parte do Brasil, Boa Vista é outro ponto estratégico de hospedagem, com aeroporto, hotéis de redes nacionais e internacionais e infraestrutura urbana. Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, também conta com pousadas básicas para quem prefere atravessar para a Venezuela de forma mais rápida. 

Conhecido como a montanha mais alta de Roraima, o Monte Roraima se destaca por sua imponência e beleza única
Dicas de hospedagem no Monte Roraima. Foto: Tinhojv / Wikimedia

Quanto custa viajar para o Monte Roraima?

Os custos da viagem ao Monte Roraima variam conforme a agência contratada, o tamanho do grupo e os serviços incluídos. Agências que operam em Boa Vista cobram entre R$ 5.000 e R$ 7.000 por pessoa na expedição completa, valor que inclui guia, carregadores, alimentação durante a trilha, equipamentos de camping e transporte entre Santa Elena e Paraitepui.

Os custos de hospedagem fora da trilha também devem entrar no planejamento. Em Boa Vista, as diárias variam entre R$ 150 em pousadas acessíveis e cerca de R$ 400 em hotéis mais confortáveis. Em Santa Elena de Uairén, os preços ficam entre US$ 30 e US$ 80 por noite. As refeições nas cidades têm custo médio de R$ 60, mas podem variar conforme a disponibilidade de produtos.

Além disso, é importante considerar gastos extras, tais como equipamentos pessoais obrigatórios, como botas de trekking, roupas impermeáveis e mochilas, que podem representar um investimento adicional de R$ 500 a R$ 1.500. 

Importante: esses valores foram coletados em janeiro de 2026 e podem ter pequenos ajustes conforme a época da viagem.

Melhor época para visitar o Monte Roraima

A escolha da melhor época para visitar o Monte Roraima influencia diretamente as condições da trilha e a experiência no topo. O período mais indicado vai de dezembro a abril, durante a estação mais seca na região, quando as chuvas são menos frequentes e as travessias de rios se tornam mais seguras.

Mesmo na estação seca, a chuva não desaparece completamente, principalmente no topo do platô, onde a umidade é constante. As temperaturas na savana variam entre 20°C e 28°C durante o dia, enquanto no cume os termômetros ficam entre 2°C e 10°C, com ventos fortes e sensação térmica mais baixa.

Entre maio e novembro, as chuvas se intensificam, aumentando o volume dos rios e deixando as trilhas mais escorregadias. Nesse período, algumas travessias podem se tornar perigosas ou inviáveis, e os acampamentos ficam mais expostos à umidade. Por outro lado, a paisagem ganha mais cachoeiras e cursos d’água volumosos.

Janeiro e fevereiro são os meses mais procurados, coincidindo com as férias escolares. Março e abril ainda apresentam boas condições, com menor movimento. Quem busca grupos menores e mais tranquilidade costuma evitar feriados prolongados e períodos de alta demanda, mesmo dentro da estação seca.

Como chegar e se locomover no Monte Roraima

O acesso ao Monte Roraima exige planejamento logístico e envolve diferentes etapas. Para brasileiros, o principal ponto de entrada é o aeroporto de Boa Vista, que recebe voos regulares de capitais como São Paulo, Brasília e Manaus. A partir da capital de Roraima, são cerca de 215 km até Pacaraima pela BR-174, em um trajeto totalmente asfaltado.

De Pacaraima até Santa Elena de Uairén, são apenas 15 km, já em território venezuelano. A travessia da fronteira exige passaporte válido, e brasileiros não precisam de visto para entrada turística. É recomendável separar um tempo extra para os trâmites migratórios, que podem variar conforme o movimento do dia.

De Santa Elena até Paraitepui, ponto inicial da trilha, o percurso, com cerca de 80 km, é feito por estrada de terra em veículos 4×4. Esse deslocamento costuma estar incluído nos pacotes das agências que organizam a expedição, já que não há transporte público regular até a comunidade indígena.

Em Santa Elena, o percurso é feito principalmente por táxis locais ou transporte contratado diretamente com as agências. O aluguel de carro em Boa Vista é possível, mas cruzar a fronteira com veículo alugado exige autorização da locadora e contratação de seguro adicional.

Piscinas naturais do Monte Roraima que parecem verdadeiras jacuzzis esculpidas pela natureza
Informações sobre como chegar ao Monte Roraima. Foto: Misstetei / Wikimedia

Seguro viagem para o Monte Roraima

A contratação de seguro viagem é fundamental para expedições ao Monte Roraima, considerando os riscos inerentes a atividades de trekking em altitude, distância de centros médicos e possíveis emergências em área remota. É recomendado que ele cubra atividades de aventura e montanhismo, já que muitas apólices básicas excluem este tipo de prática.

O Melhor Seguro facilita a comparação entre diferentes seguradoras, permitindo que os viajantes avaliem coberturas específicas, valores de apólice e condições contratuais antes de tomar a decisão. Verificar se o seguro escolhido possui cobertura para atendimento na Venezuela é essencial, uma vez que a entrada principal da montanha é feita pelo país. 

Problemas com voos em Boa Vista

Voos para Boa Vista podem sofrer atrasos, cancelamentos ou mudanças de horário, especialmente durante a temporada de chuvas na Amazônia, quando o clima impacta as operações aéreas. Nesses casos, os passageiros têm direitos garantidos pela legislação brasileira, como assistência material, reacomodação ou reembolso. 

Situações de overbooking e extravio de bagagem também podem gerar compensação. A Resolvvi atua na intermediação desses processos, analisando cada caso com base nas normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e conduzindo a solicitação com as companhias aéreas. O serviço é remunerado apenas mediante sucesso na obtenção da compensação, reduzindo riscos financeiros para o viajante.

Monte Roraima com planaltos e trilhas naturais
Monte Roraima tem planaltos impressionantes, trilhas para exploração e rica biodiversidade. Foto: Paolo Costa Baldi / Wikimedia

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