Em tempos de pandemia, o turismo precisa tomar medidas para que suas cidades não sofram ainda mais. Um dos casos mais curiosos é o de Veneza, na Itália, que anunciou em setembro de 2021, que agora rastreia por celulares “cada pessoa que põe os pés na cidade da lagoa”, segundo definição usada pela agência de notícias Reuters.

De acordo com a agência, Veneza usa 468 câmeras, um sistema de rastreamento de telefone celular e diversos sensores ópticos para fazer controle de turistas e poder assim distinguir residentes de visitantes e italianos de estrangeiros, de onde essas pessoas estão vindo, para onde estão indo e com que velocidade estão se movendo.

Essas câmeras são controladas e instaladas na sede da polícia em Veneza, e os dispositivos tiram uma foto a cada 15 minutos de como a cidade está lotada. Também rastreiam quantas gôndolas existem no canal, se os barcos estão em alta velocidade e se as águas sobem a níveis perigosos. Esses dados ajudam as autoridades a impor novas regras para os estrangeiros presentes na cidade.

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“Espero protestos, ações judiciais, e tudo o mais, mas tenho o dever de tornar esta cidade habitável para aqueles que a habitam e também para aqueles que querem visitá-la”, disse o prefeito de Veneza Luigi Brugnaro aos jornalistas.

O uso de câmeras e o sistema de rastreamento fazem parte da tentativa de Veneza de limitar o número de turistas em um determinado momento, no esforço de combater o efeito negativo do turismo excessivo na cidade.

Assim a cidade planeja fazer com que todos os visitantes, turistas ou não, reservem sua visita com antecedência, paguem uma taxa de entrada entre US$ 3,50 e US$ 12 (R$ 19,40 e R$ 66’52), dependendo da estação climática da visita, e entrem na cidade por catracas eletrônicas.

As autoridades municipais também monitoram cada movimento dos visitantes usando centenas de câmeras de vigilância que foram originalmente instaladas para monitorar a cidade em busca de crimes e velejadores imprudentes nos canais. Mas agora são usadas ​​para rastrear visitantes a fim de que as autoridades possam localizar as multidões que desejam dispersar e monitorar os movimentos.

Na sala de controle da cidade, as autoridades estudam os dados telefônicos dos visitantes para rastrear sua idade, sexo, país de origem e localização. As câmeras de vigilância seguem os movimentos dos turistas para que as autoridades possam rastrear sua jornada por Veneza.

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Foto: Antônia Felipe / Unsplash

Simone Venturini, uma das principais autoridades de turismo local, disse ao jornal New York Times: “Sabemos minuto a minuto quantas pessoas estão passando e para onde estão indo. Temos controle total sobre a cidade”.

Os dados do telefone serão usados ​​para rastrear multidões e ajustar as taxas para portões de entrada estilo aeroporto em dias movimentados. As multas propostas para entrar na cidade podem chegar a até dez euros (R$ 64,03) por dia e os turistas teriam que entrar usando as catracas.

Outro motivo importante para o rastreamento extenso é descobrir quantos turistas são excursionistas. Acredita-se que estes gastem pouco tempo e dinheiro e são um grupo importante de visitantes que as autoridades gostariam de atingir com as novas multas.

O prefeito da cidade, Luigi Brugnano, disse que seu objetivo é tornar a cidade mais habitável para os venezianos. Os turistas em Veneza foram descritos como uma “praga”, já que a cidade luta com problemas extremos de multidão, aluguéis muito altos devido aos Airbnbs (mercado online de hospedagem) e à poluição vinda de cruzeiros.

O rastreamento extremo das pessoas pelos funcionários da cidade despertou temores entre os especialistas em dados e privacidade.

Luca Corsato, gerente de dados em Veneza, disse não conhecer nenhuma outra cidade que use o rastreamento tão extensivamente. “Dar a ideia de que todos que entram são rotulados e agrupados é perigoso”.

Em resposta aos temores de privacidade, as autoridades de Veneza disseram que todos os dados rastreados são coletados anonimamente. Mesmo assim os venezianos ficaram indecisos no rastreamento, nos portões de entrada planejados e nas cargas para a cidade.

Um garçom, Cristiano Padovese, opinou: “Não gosto da ideia de ser constantemente monitorado. Mas se isso pode ajudar a eliminar o turismo excessivo, então por que não?”

Outros argumentaram que os portões de entrada transformariam a cidade em uma gaiola ou um “Big Brother” a céu aberto.

Giorgia Santuzzo, operária aposentada de uma fábrica de lustres de vidro, disse: “Sentiria ainda mais que moro em uma cidade que não é uma cidade. Devo fazer meus amigos pagarem quando me visitam?”

Alguns habitantes locais pensam que os planos são um truque ou um estratagema para manter a cidade dependente dos turistas, em vez de apoiar os jovens residentes através de empregos ou esquemas de habitação. Também se pensa que a cidade pode estar tentando servir exclusivamente aos turistas mais ricos que podem passar a noite em Veneza.

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