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Com recorde histórico registrado no último ano, parece que agora o Brasil descobriu a chave para a promoção do turismo no exterior, ampliando o volume de viajantes estrangeiros ano após ano
Em 2025 o País registrou o maior recorde de sua história, com a chegada de quase 9,3 milhões de turistas estrangeiros. Aos poucos, o Brasil vem registrando uma forte expansão no turismo internacional, e grandes eventos passaram a ocupar um papel importante nesses números.
Shows gratuitos de artistas como Madonna, Lady Gaga e Shakira, realizados na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, atraíram milhões de pessoas e ajudaram a movimentar hotéis, restaurantes, transporte e comércio local.
Fora da orla, todos esses eventos também tomaram conta das redes sociais e noticiários do mundo todo, criando um efeito cascata no chamado “Brazil core” – ou, em uma tradução mais livre, no conceito “desejo Brasil”.
Sim, o Brasil está na moda. O show de Madonna, realizado em maio de 2024, foi o primeiro grande teste recente desta estratégia de transformar um megashow gratuito em atração turística. A apresentação reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas na praia de Copacabana.
Além dos moradores locais que formaram multidões, o evento levou turistas de outras partes do Brasil e do exterior ao Rio. A Embratur estimou que cerca de 15 mil estrangeiros viajaram ao país para ver de perto a apresentação, com estimativa de gastos superiores a R$ 42 milhões.
O impacto foi além do público que esteve na praia. A ocupação hoteleira no período chegou a aproximadamente 96%, mostrando como um único evento pode provocar uma forte concentração de demanda em um fim de semana, em um mês que é considerado baixa temporada.
A experiência também serviu de referência para a continuidade do projeto de grandes apresentações internacionais na cidade.
Lady Gaga ampliou o alcance
Um ano depois, Lady Gaga levou novamente milhões de pessoas a Copacabana. A prefeitura do Rio estimou inicialmente um público de 2,1 milhões, enquanto a própria cantora mencionou uma multidão de 2,5 milhões. O Guinness World Records considerou 1,6 milhão de pessoas e reconheceu o espetáculo como o maior concerto gratuito realizado por uma artista mulher.
Um único evento, milhões de pessoas, um recorde no Guinness e milhares de menções nas redes sociais por segundo colocando o Rio de vez nos holofotes internacionais. A cidade recebeu mais de 500 mil turistas no período do show, conforme dados divulgados pela Prefeitura. A Prefeitura do Rio de Janeiro informou que o show acrescentou aproximadamente R$ 592 milhões à economia carioca. O dinheiro circulou principalmente em setores como hospedagem, alimentação, transporte e comércio.
O efeito também apareceu nos dados de turismo internacional. Maio de 2025 registrou forte aumento na entrada de estrangeiros no Rio em relação ao mesmo mês do ano anterior, em um período marcado por grandes eventos na cidade.
O Rio de Janeiro foi feito para festejar
O mega evento mais recente, agora em 2026, foi o show histórico da Shakira. A estimativa da Prefeitura do Rio era de aproximadamente 2 milhões de pessoas. Dados divulgados antes da apresentação projetava um impacto de R$ 776,2 milhões na economia da cidade, considerando despesas com hospedagem, alimentação, transporte e comércio. O valor supera as estimativas associadas a Madonna e Lady Gaga.
A expectativa era de aproximadamente 310 mil turistas, sendo 278 mil brasileiros de outras cidades e 32 mil estrangeiros. Outro indicador chamou atenção: as reservas de passagens aéreas internacionais para o período do show ficaram cerca de 60% acima do registrado para Madonna. O dado reforça a importância dos grandes eventos como instrumento de atração de visitantes de fora do país e aumento de uma demanda fora da curva.
Os números também ajudam a explicar por que cidades passaram a tratar shows internacionais como parte de sua estratégia turística. A apresentação de uma estrela mundial pode gerar despesas públicas e privadas para a realização do evento, mas o retorno potencial é distribuído por uma cadeia muito maior de atividades econômicas.
Fluxo aéreo e formas de driblar os preços das passagens mais baratas para o Brasil
Para quem pretende viajar ao Brasil para acompanhar shows, festivais ou outros grandes eventos, uma das ferramentas mais úteis é o Google Flights. A plataforma permite comparar preços de diferentes companhias e agências, consultar um calendário com variações de tarifas e acompanhar uma rota para receber alertas quando houver mudanças relevantes nos valores.
Também vale pesquisar datas próximas ao evento. Em vez de procurar apenas o voo que chega na véspera do show e retorna no dia seguinte, o viajante pode comparar diferentes combinações de datas e aeroportos. O próprio Google Flights oferece recursos para visualizar períodos com tarifas menores e aeroportos alternativos.
Outra prática utilizada por viajantes é fazer pesquisas em uma janela anônima ou em outro navegador. Isso pode ajudar a reduzir a influência de cookies e de sessões anteriores na experiência de navegação, mas não há evidência de que simplesmente abrir uma janela anônima faça as companhias aéreas aumentarem ou reduzirem automaticamente o preço de uma passagem. Os valores são influenciados principalmente por disponibilidade, demanda, regras tarifárias e outros fatores do mercado.
Para quem também se preocupa com a quantidade de informações pessoais espalhadas pela internet, serviços de remoção de dados podem ser uma alternativa. O Incogni, por exemplo, afirma atuar junto a corretores de dados para solicitar a retirada de informações pessoais de suas bases. A empresa informa que atualmente cobre mais de 420 data brokers e realiza novos pedidos periodicamente.
Brasil está entre os países que mais avançaram no turismo pós-pandemia
O crescimento brasileiro ganhou destaque no relatório Tourism Trends and Policies 2026, da OCDE. De acordo com os dados da organização, o Brasil passou de 6,35 milhões de turistas internacionais em 2019 para 9,29 milhões em 2025, alta de 46%.
Com esse resultado, o país aparece entre os que mais ampliaram o número de turistas estrangeiros desde o período anterior à pandemia. O crescimento brasileiro ficou atrás de países como Arábia Saudita, Marrocos e Egito na comparação apresentada pela OCDE.
A diferença em relação à média internacional é significativa. Enquanto o fluxo mundial de turistas internacionais estava cerca de 4% acima de 2019 em 2025, o Brasil apresentava uma expansão de 46%.
O avanço também aparece na receita. A OCDE registra cerca de US$ 7,9 bilhões em gastos de turistas internacionais no Brasil em 2025, valor nominalmente superior ao registrado antes da pandemia.
Neste sentido, os megashows se encaixam em uma estratégia mais ampla de promoção turística. Madonna ajudou a demonstrar o potencial do modelo, Lady Gaga ampliou sua escala e Shakira apresentou uma projeção econômica ainda maior. Ao mesmo tempo, o crescimento dos números nacionais indica que a procura pelo Brasil vem aumentando por razões que vão além dos grandes espetáculos.
A combinação entre eventos internacionais, conectividade aérea, promoção do destino e atrações turísticas pode ampliar ainda mais esse movimento. O desafio, daqui para frente, é transformar o aumento do número de visitantes em estadias mais longas, maior gasto por turista, um aumento na percepção de segurança pública e distribuição dos benefícios econômicos para além dos principais destinos.
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