Após percorrer o país, pesquisador criou a curadoria Novos para Nós, com os trabalhos de alguns dos melhores artistas populares do Brasil

Que o artesanato é uma forma de expressão da cultura de um lugar, já sabemos. Porém, o quanto ele modifica o indivíduo que o produz, ainda pode ser algo desconhecido por muitos. Mas uma curadoria incrível, do pesquisador Renan Quevedo, tem revelado justamente esse poder transformador do artesanato país afora. Nela, ele conseguiu reunir trabalhos de alguns dos melhores artistas populares do Brasil e os promove através das redes sociais.

Chamada Novos para Nós, a curadoria é fruto de muitas horas de trabalho, mais de 100 mil quilômetros de estradas em sete meses e dezenas de entrevistas com artesãos de toda parte do país. E o resultado não poderia ter sido melhor: além de divulgar a arte de brasileiros talentosos, porém desconhecidos, ainda ajuda a contar um pouco mais da história do Brasil por meio de peças belíssimas que podem, inclusive, ser compradas através de uma loja online.

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Como nasceu a Novos para Nós


O pesquisador Renan Quevedo iniciou a curadoria Novos para Nós em 2017. Porém, o projeto nasceu muito antes disso. Foi em 2012, quando visitou a exposição “Teimosia da Imaginação”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, que Renan, sem saber, deu início àquele que seria um trabalho super importante para o reconhecimento de artistas populares brasileiros.

Ao ver a exposição, o então publicitário percebeu que conhecia, de cor, o nome de vários expositores estrangeiros, mas desconhecia os brasileiros que participavam da mostra. E, impressionado com a capacidade criativa destes artesãos brasileiros em reaproveitar materiais e recursos para produzir as peças, decidiu conhecê-los de perto. Inicialmente, conciliou o trabalho regular com as viagens em busca dos artistas.

Mas as descobertas foram tantas e tão impressionantes, que Renan decidiu largar o emprego para se dedicar exclusivamente à pesquisa de artesãos e artesãs Brasil afora. E, cinco anos depois, transformou essa curiosidade em um propósito real, criando, assim, a Novos para Nós. O objetivo, desde o início, foi dar visibilidade à arte popular brasileira, fazendo com que o trabalho destes artistas fosse conhecido por mais pessoas.

Atualmente, Renan divulga as peças e histórias de vários artesãos através de palestras, das redes sociais e, também, de um site. Assim como mantém uma loja online onde pessoas de qualquer parte do país podem comprar os artesanatos. Desse modo, contribui não só para a divulgação da arte, como também para a subsistência desses artistas e, consequentemente, de suas comunidades.

Curadoria de artistas populares do Brasil


Hoje, já são mais de 400 artistas populares do Brasil que têm seus trabalhos e histórias mapeados pela curadoria. E esse número só cresce a cada dia. Mas não para por aí. Além de divulgar e ajudar a vender as peças, a Novos para Nós promove a valorização do artesão enquanto indivíduo, trazendo o reconhecimento para sua arte.

Tanto que Renan, ao realizar palestras sobre a curadoria, convida alguns desses artistas populares para falarem sobre seus trabalhos, comunidades e modos de viver. Dentre eles, Zé Bezerra, Dona Izabel, Zezinha e Dudu da Costa. “O que eu fiz não foi um deslocamento geográfico. Foi um deslocamento de eixo. Essas pessoas mudaram minha vida. A arte popular é nosso maior tesouro, fala de nossa ancestralidade e de nosso futuro”, disse o pesquisador em uma entrevista ao portal UOL.

Artesanato do Brasil para o mundo


Em contrapartida, ao tornar os trabalhos conhecidos, Renan ajuda esses artistas populares do Brasil a levar sua arte para além de suas comunidades e – por que não – de nossas fronteiras. Um bom exemplo disso é o Seu Jasson. O mestre-artesão autodidata de Alagoas que cria móveis exuberantes a partir de galhos secos de árvores conheceu Renan durante a busca por artistas populares da curadoria Novos para Nós.

Seu Jasson vivia em uma comunidade do sertão alagoano e, na época, passava por grandes dificuldades. Mesmo assim, conseguia transformar o que ninguém queria em arte: galhos e troncos em peças coloridas e lindíssimas. Porém, as vendia com um preço muito inferior ao que realmente valiam, o que não ajudava no sustento da família.

Impressionado com a beleza do artesanato, Renan contou a história de Seu Jasson através de um vídeo – disponível no site e no Instagram e o ajudou a transformar a arte em meio de subsistência. Ao passo que, agora, o artesão não só vende seu trabalho para amantes do artesanato aqui no Brasil como expõem as peças fora do país.

No final de 2021, por exemplo, Seu Jasson participou da exposição “Alagoas – The Brazilian Artisanal Soul”, na Semana de Arte e Design de Miami, nos Estados Unidos. Além disso, suas peças participaram do circuito oficial do festival global de arte e design, na Galeria Pinta Miami.

Mapa da arte popular brasileira


Ao percorrer as cinco regiões do país, Renan criou um mapa da arte popular brasileira através da Novos para Nós. Nele, conseguiu identificar as características da produção artística de cada lugar. E, com isso, deixou mais fácil a missão de quem, assim como ele, tem vontade de conhecer mais do artesanato brasileiro dentro das comunidades que o produzem.

A seguir, veja o que é possível encontrar em cada cantinho do Brasil:

  • Tocantins: utilitários de cerâmica em Arraias.
  • Acre: sapatilhas e sandálias de látex em Epitaciolândia.
  • Jalapão: artesanato com capim dourado.
  • Amazonas: paneiros (cestos) feitos a partir de trançados de fibras vegetais em Careiro.
  • Pará: cerâmicas Marajoara na Ilha do Marajó.
  • Belém: brinquedos feitos de miriti.
  • Pernambuco: esculturas, panelas, vasos e outros utilitários em barro em Caruaru.
  • Piauí: cestarias, luminárias e outros objetos de decoração em Várzea e Queimada.
  • Alagoas: esculturas de bichos e pessoas e móveis de madeiras na Ilha do Ferro.
  • Serra da Capivara: cerâmicas com pinturas rupestres.
  • Paripueira: rendas.
  • Xingu: cestarias, pequenos móveis, artefatos de cozinha e itens decorativos.
  • Mato Grosso: cenas e paisagens bordadas com a técnica chilena arpillera em Poconé.
  • Goiás: máscaras de papel em Pirenópolis.
  • Mato Grosso do Sul: figuras humanas e peças utilitárias em madeira e cerâmica no Pantanal.
  • Minas Gerais: bonecos, esculturas e utilitários em cerâmica no Vale do Jequitinhonha e móveis, esculturas e vasos de madeira no Sul de Minas.
  • São Paulo: vasos, jarros e esculturas de cerâmica em Apiaí.
  • Rio de Janeiro: esculturas, móveis e outras peças de material reciclado em Santa Teresa.
  • Paraná: bonecos de madeira em Rio Branco do Sul.
  • Rio Grande do Sul: mantas, ponchos, peças de inverno em tricô, bonecos de lã, calçados, roupas e acessórios em couro em Pelotas.

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