Crise no turismo e mercado de viagens: setor chegou a perder R$ 2,2 bilhões apenas na primeira quinzena de março, pandemia pode criar uma crise ainda maior

Apenas no Brasil, mais de 115 mil postos de trabalho ligados ao setor de turismo correm risco, além disso, a crise pode definir o futuro de diferentes profissionais com ligação direta e indireta ao mercado de viagens. Agências, operadoras, hotelaria, alimentação, comércio local, cooperativas e outros serviços essenciais da indústria de viagens podem ser ainda mais impactados pela pandemia do novo coronavírus.

No último balanço feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou uma perda praticamente irreversível para o turismo no Brasil e preocupa entidades e profissionais da área. Caso não sejam tomadas medidas viáveis, o volume de receitas gerada pela indústria de viagens pode ser ainda mais assustador. Até o momento, o setor recuou 16,7% em número de faturamento em relação ao mesmo mês do ano passado.

Crise mundial no mercado de viagens

Reservas de pacotes de viagens fechados há mais de um ano, onde gerou custos administrativos, comissão de agentes e intermediadores, além de taxas bancárias, estão sendo reembolsados no valor integral por centenas de empresas da indústria. Enquanto agentes precisam bancar os custos e garantir reembolso integral aos turistas, fornecedores pedem prazos maiores para estorno, sem abrir mão das tarifas empregadas em contrato.

Para minimizar o transtorno ao turista, agências de viagens estão tirando dinheiro do próprio caixa para conseguir reembolsar pacotes de viagens reservados há meses.

O mercado de hotelaria, por exemplo, possui um dos produtos mais perecíveis do mundo. A reserva que poderia ser feito em um determinado dia, jamais será recuperada. Enquanto isso, o custo para manter a estrutura segue intacto. Mesmo com o risco, os gastos para arcar com funcionários, manutenção, alimentos e contas, trazem ao mercado um alto valor de gastos fixos. Alguns deles impossíveis de serem negociados ou recuperados.

Rede Accor, uma das maiores do Brasil, prevê um fechamento de 300 hotéis da marca nas próximas semanas. O CEO da Accor Hotels, Patrick Mendes, não deixou claro quais serão as unidades fechadas definitivamente e quais ficarão suspensas por tempo limitado. Informações foram publicadas na página do Valor Econômico, veículo especializado em temas sobre a economia brasileira.

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Pandemia para o mundo e retrai faturamento do mercado de viagens. Foto: Chad Davis
/ Wikimedia Commons

Não cancele sua viagem, remarque

Em momento de instabilidade, todos os mercados serão afetados. Entre os principais, o mercado de viagens mundial passa por um momento de crise, inclusive em escala local no turismo no Brasil. Campanha “Não cancele sua viagem, remarque” lançada por profissionais de turismo sugere que as viagens sejam remarcadas, com a finalidade de garantir postos de trabalho e empresas em operação. Além disso, oferecem o congelamento dos gastos para pacotes fechados e pagos antecipadamente.

O mercado de viagens corresponde a 8,1% do PIB no Brasil. Mesmo com um número expressivo, o poder público ainda não se deu conta da importância do setor para o Brasil e para o mundo.

Segundo levantamento feito em 2018 pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC – The World Travel & Tourism Council), a indústria do turismo garante mais de 319 milhões de postos de trabalho ao redor do mundo. No Brasil esse número ainda é abstrato, pois engloba postos de trabalho direto e indiretamente.

A falta de uma análise fundamentada, também mascara o tamanho do problema que está por vir. Apesar das entidades do mercado serem bem articuladas internamente, com inúmeras organizações com excelentes relações, a falta de seriedade do poder público se transforma em uma verdadeira muralha no caminho do desenvolvimento saudável, impedindo um crescimento significativo para o mercado de viagens.

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Cancelamento em massa pode agravar crise no turismo. Foto: Guia Viajar Melhor

Crise no turismo e a importância do mercado de viagens

Durante uma viagem, turistas movimentam a economia local de diversas formas. O fato de pegar um táxi, um Uber ou apenas comprar um suvenir em alguma feira de artesanato mostra o alcance do setor. Tudo isso vai muito além de reserva de pacotes de viagens, hotéis ou voos. O turismo traz, em sua cadeia produtiva, o englobamento de diferentes segmentos.

Quando um hotel com 80 quartos precisa trocar os seus equipamentos, ele compra, de uma só vez, 80 ar-condicionados, 80 geladeiras, 80 camas e por aí vai. Injetando uma grande quantidade na economia local, algumas vezes sem nem serem percebidas. Às vezes não fica claro, mas todos esses fornecedores também vivem, indiretamente, em função do turismo.

Cultura, lazer, entretenimento, consumo, alimentação, turismo médico, religioso, turismo esportivo, viagens de intercâmbio, viagens a trabalho e tantas outras modalidades são encabeçadas pelo turismo.

Segundo publicado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), foi estimado que o mercado de viagens movimentaria mais de R$ 8 bilhões apenas durante o Carnaval 2020. Dito isso, quando é que o poder público e a sociedade irão perceber a importância do mercado de viagens em uma crise global? Uma media provisória precisa ser adotada em conjunto com as entidades do setor.

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