Repleta de cobras venenosas, uma ilha no litoral paulista é considerada a mais perigosa do mundo, mas é também uma importante unidade de conservação brasileira

Imagine uma ilha completamente dominada por cobras venenosas. Apesar de parecer o cenário de alguma obra de ficção, esse lugar existe e fica aqui no Brasil. Trata-se da Ilha das Cobras, nome popular dado à Ilha da Queimada Grande, localizada na costa do litoral sul paulista, entre as cidades de Itanhaém e Peruíbe. 

O lugar, que é uma unidade de conservação brasileira, se destaca por apresentar a maior concentração de cobras por metro quadrado do mundo. No entanto, a real ameaça ali, atualmente, são os impactos causados pelo próprio homem. Isso porque a jararaca-ilhoa (bothrops insularis), espécie endêmica que habita a ilha, está ameaçada de extinção. 

Para preservá-la – e também por sua periculosidade – o acesso à Queimada Grande não é permitido. Somente pesquisadores e profissionais ambientais estão liberados para visitá-la. Ainda assim, é necessário uma autorização da Marinha Brasileira e uma série de vestimentas específicas. 

Entre pesquisas, mistérios e fatos curiosos que rodeiam o local, saiba mais sobre esta, que é considerada a ilha mais perigosa do mundo, mas também um verdadeiro tesouro natural do litoral sul de São Paulo

Perigo por todos os lados

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Foto: Divulgação/ ICMBip

A Ilha das Cobras, ou Queimada Grande, definitivamente, não é um lugar para humanos. Além de cobras por todos os lados, a ilha não possui água potável. Para piorar, o desembarque por ali também não é dos mais fáceis, sendo necessário atravessar penhascos e um imenso costão rochoso bastante escorregadio.

Por todos esses motivos, a ilha foi considerada pelo site Listverse o local mais perigoso do mundo em 2010. Além disso, algumas “lendas” famosas tentam explicar a existência de tantas cobras por ali. Uma delas diz que antigos piratas que guardam um tesouro colocaram as cobras ali para protegê-lo.

No entanto, a ciência explica: há mais de 10 mil anos, os níveis do mar aumentaram por conta do derretimento de geleiras e isolaram a ilha, fazendo com que a espécie de cobras ali evoluísse e se adaptasse ao longo do tempo.

Jararaca-ilhoa: uma espécie ameaçada 

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Jararaca-ilhoa. Foto: Wikimedia Commons

Atualmente, de acordo com informações do ICMbio, estima-se que existam cerca de 4.000 serpentes na ilha. A cobra que vive ali, no entanto, possui um fator curioso: é uma espécie endêmica, ou seja, única. A jararaca-ilhoa possui características diferentes das jararacas que vivem no continente. 

Isso acontece porque na ilha não existem pequenos roedores. Assim, as cobras desenvolveram a habilidade de subir em árvores para caçar pássaros, o que fez com que seu veneno ficasse mais forte, cerca de quatro vezes mais potente, para abater as presas mais rápido. Além disso, a espécie desenvolveu uma camuflagem para não ser percebida entre a vegetação da ilha. 

O nome “Queimada Grande” surgiu porque, tempos atrás, quando pescadores e marinheiros precisava desembarcar ali, realizavam grandes queimadas para afastar suas peçonhentas habitantes. Foi justamente isso que colocou a mata nativa em risco e também a existência das cobras.  

Além disso, o tráfico de animais também foi um dos responsáveis por incluir a espécie na lista de ameaçados de extinção. Estima-se que a população de cobras da ilha tenha diminuído quase pela metade nos últimos 15 anos – e é por isso que pesquisadores, junto ao Instituto Butantã, tentam reverter a situação e garantir a preservação da espécie, assim como seu habitat.

Conservação e pesquisas na ilha mais perigosa do mundo

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Pesquisadores estudam a jararaca-ilhoa. Foto: ICMBio

De acordo com o ICMbio, órgão responsável pela manutenção da área, as pesquisas realizadas na ilha são realizadas por estudantes de universidades federais brasileiras e também pelo Instituto Butantã. Os estudos têm como foco a  manutenção da jararacas e também do ambiente onde vivem. Os pesquisadores se arriscam para retirar a flora exótica da ilha e restaurar suas plantas naturais, em um delicado trabalho de reflorestamento.  

Além da jararaca-ilhoa, outras espécies também habitam o local, como diversos insetos, lagartos, serpentes, aranhas e aves. Apesar de pequena em território, a Ilha da Queimada Grande possui uma grande importância biológica e um rico ecossistema natural. 

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